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Segunda-feira, 27 de Abril 2026

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Escala operacional entra no centro do debate sobre eficiência e segurança no atendimento de emergência

Especialistas e experiências estaduais indicam que jornadas exaustivas aumentam risco operacional e comprometem a capacidade de resposta em ocorrências críticas

Escala operacional entra no centro do debate sobre eficiência e segurança no atendimento de emergência
Divulgação/Governo de SP
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Quando alguém aciona o telefone 193, a expectativa é imediata, resposta rápida, decisão precisa e preservação de vidas. O que raramente entra nessa equação é a condição de quem está do outro lado da linha. O socorrista, apesar da função técnica e da responsabilidade elevada, continua sendo humano, e como qualquer profissional submetido a alta demanda, possui limites físicos e mentais.

Esse ponto começa a ganhar maior relevância em diferentes regiões do país. Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo já avançaram na adoção da escala 24x72, modelo que amplia o tempo de descanso entre jornadas. A mudança não surgiu de forma aleatória, mas como resposta a um entendimento técnico crescente, desempenho operacional depende diretamente da condição física e cognitiva do profissional.

Em São Paulo, no entanto, ainda prevalece o modelo conhecido como 1 por 2. O tema tem gerado discussões dentro e fora das corporações, especialmente quando analisado sob a ótica da saúde ocupacional e da gestão de risco. A manutenção de jornadas mais curtas de descanso tende a acumular fadiga ao longo do tempo, um fator que não se manifesta de forma imediata, mas que impacta gradualmente a capacidade de resposta em situações críticas.

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Do ponto de vista normativo, o debate encontra respaldo em diretrizes já estabelecidas. A Norma Regulamentadora 17 trata da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas do trabalhador. A NR 7 aborda a preservação da saúde física e mental, considerando também os efeitos da sobrecarga. Já a NR 1 inclui a organização do trabalho como fator relevante dentro da análise de risco ocupacional.

Na prática, isso significa que a forma como a jornada é estruturada também deve ser tratada como elemento de risco. Estudos internacionais conduzidos por organismos como a Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho apontam que privação de sono e jornadas prolongadas estão diretamente associadas ao aumento de erros, redução da capacidade cognitiva e maior tempo de resposta em atividades críticas.

Quando esse cenário é aplicado ao contexto de emergência, o impacto ganha outra dimensão. Diferentemente de outras áreas, o atendimento de ocorrência não admite margem de erro. Decisões precisam ser tomadas em segundos, muitas vezes em ambientes imprevisíveis e sob pressão intensa.

Por esse motivo, diferentes estados brasileiros têm adotado modelos que incorporam o descanso como parte do preparo operacional. A lógica é simples, profissionais em melhores condições físicas e mentais tendem a manter maior nível de precisão e eficiência ao longo do tempo.

O debate sobre escala, portanto, deixa de ser apenas uma discussão interna de categoria e passa a integrar um tema mais amplo, gestão de risco e qualidade do serviço prestado à população. Não se trata de redução de carga de trabalho, mas de reorganização baseada em evidência técnica.

A discussão também envolve um ponto estratégico. Investimentos em viaturas, equipamentos e tecnologia podem perder efetividade quando não acompanhados de condições adequadas para quem opera esses recursos. A eficiência operacional depende tanto da estrutura quanto do fator humano.

Em um estado com o porte e a relevância de São Paulo, o tema tende a ganhar ainda mais atenção nos próximos anos. A experiência de outras unidades da federação e o avanço de estudos na área de saúde ocupacional colocam a escala de trabalho como um dos elementos centrais na discussão sobre segurança e desempenho em serviços de emergência.

No centro desse debate permanece uma questão direta, mas essencial. O modelo atual está reduzindo riscos ou contribuindo para acumulá-los.

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