Há traições que não se anunciam com discursos, mas se revelam pela omissão calculada, pelo silêncio covarde e pela escolha reiterada de abandonar quem sustenta o Estado em troca de aplauso fácil de elites hostis à autoridade. É exatamente isso que define o governo de Tarcísio Gomes de Freitas em relação à Polícia Militar de São Paulo. Estamos pagando o duro preço de eleger alguém que sequer conhecia o caminho para o Palácio dos Bandeirantes saindo de uma estação do metrô para agradar Bolsonaro.
Não se trata mais de falha de gestão. Trata-se de traição institucional deliberada.
A Polícia Militar de São Paulo foi usada como plataforma eleitoral e descartada como estorvo político. Durante a campanha, foi evocada como símbolo de ordem, firmeza e combate ao crime. No governo, passou a ser tratada como risco reputacional, problema administrativo e variável incômoda a ser contida. Esse comportamento tem nome: oportunismo.
Sob Tarcísio, o policial paulista permanece mal remunerado, juridicamente exposto e politicamente abandonado. O governador não enfrenta a criminalização sistemática da atividade policial, não sustenta publicamente seus homens quando estes agem no cumprimento do dever e não constrói qualquer política séria de valorização da carreira. Ao contrário: aceita passivamente a narrativa segundo a qual a polícia é sempre suspeita, enquanto o criminoso é sempre contextualizado.
Isso não é neutralidade. É alinhamento.
O governador escolheu governar para o aplauso do consórcio jurídico-midiático que despreza a autoridade, teme a força e relativiza o crime. Escolheu agradar a quem jamais estará na rua, jamais enfrentará o tráfico, jamais entrará em vielas dominadas por facções. Para esses, o policial é um problema moral; para o cidadão comum, é a última linha de proteção. Tarcísio escolheu o primeiro grupo.
Com isso, rompeu um princípio elementar do conservadorismo e da própria ideia de Estado: a lealdade à força pública. Não existe governo legítimo que se sustente enquanto abandona aqueles que exercem, na prática, o monopólio da força legal. Governador que não defende sua polícia governa por delegação moral — e perde autoridade.
O contraste histórico é humilhante. A antiga Força Pública de São Paulo era respeitada porque o Estado se fazia respeitar. Havia clareza de missão, respaldo político e reconhecimento social. O policial não pedia desculpas por existir, nem era jogado aos leões quando a imprensa militante precisava de um bode expiatório. O Estado assumia sua força — e, por isso, era obedecido.
Tarcísio fez o oposto. Transformou a Polícia Militar em instrumento descartável, útil apenas enquanto não gera ruído. Ao primeiro sinal de pressão, recua. Ao primeiro editorial hostil, silencia. Ao primeiro conflito real entre autoridade e narrativa, escolhe a narrativa.
Chamar isso de traição não é excesso retórico. Traição é quebrar o pacto entre comando político e tropa. Traição é enviar homens armados à rua sem garantia institucional. Traição é usar a farda como ativo eleitoral e tratá-la como passivo moral no governo. Traição é governar com medo.
São Paulo não está diante de um governador conservador mal-assessorado. Está diante de um governador que não acredita na própria força pública. E quando o chefe do Executivo não acredita na polícia, o crime entende o recado rapidamente. Lembremos: É o mesmo governador que aplaudiu as tarifas de Donald Trump enquanto o produtor agropecuário e o industrial paulista foram os mais afetados. É facada atrás de facada.
A história não será gentil com Tarcísio Gomes de Freitas. Ele poderá ser lembrado como gestor técnico, como administrador de planilhas, talvez até como reformista de gabinete. Mas para a Polícia Militar de São Paulo — e para quem ainda acredita em Estado, ordem e autoridade — ele já tem um lugar definido: o governador que traiu sua própria polícia. É o governador de origem militar do exército, que veio ao batismo da política pelas mãos de Dilma Roussef e crismado por Jair Bolsonaro, em ambos os casos, totalmente contra São Paulo.
A histórica política de São Paulo ensina: São Paulo não esquece; não transige; e não perdoa. Tarcisio não pode ser esquecido a essa humilhação histórica que deflagrou contra a Milícia de Todos os Paulistas.
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