O cenário político da segurança pública na ALESP é, sem rodeios, uma decepção monumental para quem veste — ou já vestiu — a farda. A chamada “bancada da bala”, que deveria ser o escudo e a voz ativa dos policiais, transformou-se em um grupo de influencers legislativos, agarrados a vídeos, stories e opiniões superficiais. São parlamentares que falam demais, mas não entregam absolutamente nada de concreto.
É constrangedor assistir deputados eleitos pela própria categoria se comportando como comentaristas de portal: reagem a notícias, opinam sobre tudo — exceto sobre o que realmente importa. Projetos robustos? Enfrentamento político? Cobrança firme por valorização e estrutura? Nada disso existe. A prática legislativa desapareceu. O que sobra é autopromoção.
A ironia beira o ridículo: enquanto os deputados da segurança pública produzem “conteúdo”, há parlamentar da esquerda defendendo reajuste salarial para a Polícia Militar — e, por mais inacreditável que pareça, cumprindo melhor o papel do que nossos próprios representantes, simplesmente por fazer o básico: atuar politicamente. Isso expõe, de maneira brutal, o vazio de liderança e a incapacidade da nossa bancada de defender a categoria.
E aqui está a verdade que muitos tentam esconder: políticos trabalham para se manter no poder — inclusive os nossos. Com escritórios cheios, assessores pagos com dinheiro público e rotinas voltadas a preservar capital eleitoral, tornaram-se profissionais da política, não da segurança. Nesse jogo, o policial vira ferramenta, não prioridade.
A tropa sonha com reestruturação, salário digno, carreira moderna e condições reais de trabalho. Em troca, recebe vídeos, posts e discursos reciclados. Nenhum avanço. Nenhuma luta. Nenhuma entrega.
Enquanto isso, o governo estadual segue confortável: não é pressionado, não é cobrado, não é confrontado. E por quê? Porque quem deveria fazer esse trabalho está ocupado com lives, podcasts e textões de internet.
O resultado é cristalino:
- A categoria continua desvalorizada.
- A carreira segue estagnada.
- A PMESP permanece invisível para o governo.
- E os representantes da segurança na ALESP seguem inúteis, presos ao teatro digital enquanto a tropa paga a conta.
Se nada mudar, a segurança pública continuará sem voz, sem força e sem direção — porque aqueles que foram eleitos para defender o policial abandonaram a missão e abraçaram a vaidade do palco político.
Att: Marcus Vinicius