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Terça-feira, 20 de Janeiro 2026

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Salário de fome: PC-MG abre concurso com menos de R$ 2 mil para auxiliar de perícia

A Polícia Civil de Minas Gerais abriu concurso para 104 vagas de Técnico-Assistente (auxiliar de perícia) com salário-base de apenas R$ 1.990,97 para 40 horas semanais, valor que expõe a desvalorização crônica dos servidores da segurança pública em Minas.​

Salário de fome: PC-MG abre concurso com menos de R$ 2 mil para auxiliar de perícia
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Salário que envergonha o cargo

O edital prevê remuneração de R$ 1.990,97 para uma função técnica ligada à perícia criminal, com jornada de 40 horas semanais, exigindo ao menos ensino médio completo e aprovação em prova objetiva. Na prática, o Estado oferece pouco menos de dois salários mínimos projetados para 2026 para um cargo que lida com cena de crime, corpo humano, vestígios e toda a cadeia de custódia da prova pericial, atividades que exigem responsabilidade e preparo emocional muito acima da média.​

Missão de alto risco, salário de subemprego

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O auxiliar de perícia integra a estrutura da investigação criminal, apoiando peritos na coleta, preservação e análise de evidências que podem definir a condenação ou absolvição de suspeitos. Pagar menos de R$ 2 mil a quem ajuda a desvendar homicídios, estupros, acidentes graves e crimes complexos é transformar um posto de altíssima sensibilidade em emprego precarizado, empurrando profissionais a complementar renda com “bicos” e aumentando o risco de adoecimento físico e mental.​

Concurso grande, atratividade mínima

São 104 vagas ofertadas, com inscrições on-line entre 7 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026, ao custo de R$ 65,00, para uma prova marcada para 29 de março de 2026. A combinação de taxa de inscrição elevada em proporção ao salário, baixa perspectiva de progresso remuneratório e responsabilidade extrema tende a afastar candidatos mais qualificados, o que enfraquece a qualidade da própria perícia oficial e, por consequência, da investigação criminal no estado.​

Estado economiza na base da segurança

Enquanto outros concursos em Minas Gerais anunciam salários que passam de R$ 16 mil ou R$ 20 mil em áreas diversas, o auxiliar de perícia da PC-MG segue relegado ao rodapé da folha de pagamento, mesmo sendo peça-chave para que a polícia consiga entregar investigações sólidas ao Ministério Público e ao Judiciário. O recado político é claro: o Estado aperta o cinto justamente na base da segurança pública, sinaliza que o trabalho técnico de bastidor vale pouco e alimenta um ciclo de desmotivação, rotatividade e fragilidade institucional.​

Serviço essencial tratado como gasto supérfluo

O concurso, com validade de dois anos prorrogáveis por mais dois, deveria ser oportunidade para reestruturar de forma séria o quadro de apoio à perícia criminal em Minas Gerais. Ao insistir em um salário de subsistência para um cargo essencial, o governo mineiro transforma uma política pública de segurança em mero ajuste contábil, trata o servidor como custo descartável e empurra a sociedade a pagar, mais à frente, a conta da investigação fraca, da impunidade e da violência que não diminui.​

 

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