A entrevistada de hoje é Fernanda Campacci, conheça a história de superação dessa guerreira
Tribuna Conservadora: Por favor, conte um pouco sobre sua trajetória e a área de atuação do seu negócio.
Fernanda: Meu nome é Fernanda Campacci, tenho 43 anos, sou manicure e pedicure tradicional. Atuo na área há mais de 13 anos. Comecei nessa profissão para poder me dedicar e estar presente na criação da minha filha. No início, eu não tinha muita experiência, atendia pessoas próximas, vizinhas e amigas, e assim transformei uma necessidade em um sonho: ter meu próprio salão. Com o tempo, comecei a fazer cabelos e cursos, dando início à minha trajetória profissional.
Tribuna Conservadora: O que a motivou a empreender e como vê a importância do empreendedorismo na comunidade negra?
Fernanda: Empreender surgiu como uma forma de conciliar a maternidade e a realização pessoal. Aos poucos, o que era apenas uma necessidade se tornou paixão e propósito. Acredito que o empreendedorismo é uma ferramenta poderosa para a comunidade negra, pois nos coloca em posição de protagonismo e independência. Ele nos permite mostrar que somos capazes, talentosos e determinados, mesmo quando as oportunidades não nos são dadas de forma fácil.
Tribuna Conservadora: Quais foram os maiores desafios que enfrentou no início e como os superou?
Fernanda: Meu maior desafio foi lidar com o medo de seguir sozinha. Fiz parcerias que, em vez de somar, acabaram me desmotivando. Além disso, o fato de o meu público ser majoritariamente branco exigiu ainda mais esforço para conquistar respeito e credibilidade. A insegurança também era constante por causa da grande concorrência no mercado. Mas, com persistência e dedicação, fui construindo meu nome, e hoje tenho clientes fixas há mais de 10 anos.
Tribuna Conservadora: A mentalidade vitimista costuma ser constantemente associada à comunidade negra em discursos de esquerda. Como você enxerga essa visão e qual é a sua mensagem para quem deseja ser protagonista de sua própria vida?
Fernanda: Eu aprendi que, se eu não fizer, ninguém fará por mim. O fato de eu ser uma empreendedora negra não me amedronta mais, pois sei do meu potencial. Não me sinto excluída do mercado, porque conquistar meu espaço é uma tarefa minha. Ser protagonista da minha história é o que me move. Temos nosso lugar de fala, mas ele deve vir acompanhado de ação. Dá pra fazer, dá pra ser. Tudo o que um dia disseram que não era pra nós, hoje carrega a nossa assinatura.
Tribuna Conservadora: Na sua opinião, quais atitudes práticas podem ajudar a comunidade negra a avançar no mundo dos negócios, deixando de lado a postura de vitimização?
Fernanda: Acredito que divulgação, credibilidade e aceitação são essenciais. Precisamos acreditar que nosso lugar não precisa ser diferente, que nossa capacidade é igual a de qualquer pessoa. Capacitação, esforço e confiança são os pilares que fazem a diferença. Temos um caminho vasto de superação, força e ancestralidade, e cada um de nós pode escrever sua história com dignidade e determinação.
Tribuna Conservadora: Quais exemplos ou atitudes você destaca como fundamentais para fortalecer o empreendedorismo negro hoje?
Fernanda: Buscar capacitação constante, apoiar uns aos outros e valorizar quem empreende com propósito. O fortalecimento vem quando deixamos de competir entre nós e passamos a somar. É fundamental mostrar qualidade, profissionalismo e respeito, pois isso quebra preconceitos e abre portas.
Tribuna Conservadora: Que papel você acredita que o setor público e privado devem desempenhar para apoiar verdadeiramente o desenvolvimento de empreendedores negros?
Fernanda: Ambos devem criar e incentivar políticas de inclusão que não se limitem a discursos, mas que abram oportunidades reais de crescimento. O reconhecimento do mérito e da competência precisa ser o foco, estimulando a formação e o acesso a crédito, visibilidade e capacitação.
Tribuna Conservadora: Como os leitores do Tribuna Conservadora podem apoiar negócios liderados por negros que não aceitam o lugar de vítima, mas buscam o sucesso através do trabalho duro e da responsabilidade?
Fernanda: Podem apoiar consumindo de empreendedores negros que se destacam pelo mérito, pela qualidade e pela dedicação. Apoiar com reconhecimento, recomendação e valorização do trabalho é uma forma concreta de fortalecer quem acredita no esforço, na responsabilidade e na superação. Sim, eu sou negra, e minha cor não define nem limita minha capacidade de vencer e ter sucesso, seja qual for minha área de atuação.