Policiais militares no Brasil enfrentam expectativa de vida média de 66,3 anos, bem abaixo dos 76,6 anos da população geral em 2024, conforme dados recentes do IBGE. Um estudo com óbitos no Paraná de 2012 a 2016 aponta oficiais com 75,7 anos de média, contra 65,3 anos nas praças, diferença de 10,5 anos, sendo soldados os mais afetados com apenas 61,9 anos. Essa correlação positiva entre hierarquia e longevidade (r=0,857) ocorre só entre praças, destacando desigualdades estruturais na corporação.
Exposição a Riscos e Estresse Crônico Agravam Desigualdade
Praças lidam com patrulhamento ostensivo e confrontos diretos, elevando exposição a perigos físicos e estresse, enquanto oficiais focam em comando e planejamento. Cargas horárias excessivas, remuneração baixa e condições precárias impactam mais a base, contribuindo para mortalidade prematura. Suicídio, principal causa de morte na categoria e oito vezes maior que na população geral, reflete saúde mental fragilizada, especialmente entre praças.
Fatores Socioeconômicos e Saúde Explicam a Lacuna
Oficiais contam com formação superior, salários melhores e redes de apoio, permitindo maior controle sobre carreira e acesso a cuidados preventivos. Praças sofrem com sobrepeso, obesidade e idade avançada no ingresso, agravados por falta de suporte hierárquico. A expectativa de vida dos PMs cai ao longo da carreira, ficando 3 anos abaixo da média nacional para soldados em todas as faixas etárias.
Urgência por Políticas Públicas e Reformas
Essa realidade exige ações como prevenção ao suicídio, redução de riscos operacionais e promoção de saúde diferenciada por posto. Propostas recentes visam estender limites de idade na reserva, alinhando à longevidade crescente, mas sem atacar raízes como desigualdades internas. Policiais, heróis da segurança, merecem condições dignas para viver mais e melhor.