Em 1997, RRC ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo, dedicando sua carreira a batalhões como o 4º, 18º e, por volta de 2000, transferiu-se para o 19º Batalhão, localizado em Hortolândia, cidade onde sempre residiu. Durante o período em que atuou, manteve um histórico sem manchas. No entanto, em 2005, sua vida mudou drasticamente quando foi demitido da corporação, apesar de que, meses antes, havia cumprido seu dever legítimo ao prender um comerciante por corrupção ativa.
RRC e seu parceiro da época foram acusados injustamente de corrupção passiva. Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado, cujo resultado final apontou, pelo próprio oficial presidente, que as penalidades deveriam se limitar a sanções disciplinares menos severas do que a demissão ou expulsão. Na esfera criminal, o inquérito foi arquivado por ausência efetiva de prática de crime.
Mesmo diante dessas decisões, a demissão se manteve, causando a RRC um impacto pessoal e profissional profundo. “Meu mundo acabou”, relembra. Durante três anos, sentiu-se parado no tempo, impotente diante da violação dos seus direitos constitucionais. Tentou reverter a situação pela via judicial, mesmo com a pessoa que os acusou oficialmente demonstrando arrependimento em carta rogatória registrada no consulado brasileiro no Japão, arrependido por ter cometido uma injustiça, mas a Justiça manteve a decisão da cúpula da corporação.
O sentimento de injustiça permanece, especialmente porque muitos policiais na mesma situação continuam sem resposta. A indignação se soma à expectativa frustrada com o governo do Estado de São Paulo, que tem condições de corrigir essas decisões injustas, e com a bancada da bala na Assembleia Legislativa, que pouco tem feito para desengavetar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/2020, que poderia beneficiar policiais demitidos injustamente.
Hoje, RRC trabalha como servidor público municipal, mas carrega a revolta por ter visto sua carreira interrompida de forma injusta, e pela permanência dessa ferida entre os ex-policiais que confiaram na instituição que deveriam proteger e servir.
Essa história é apenas uma entre muitas. Ainda hoje, policiais que enfrentaram processos sem comprovação real e que sofreram sanções desproporcionais continuam lutando pelo reconhecimento da injustiça sofrida e por reparação.