UM ESTRANHO NO NINHO
E de repente me vejo parado no tempo. Me dou conta que estou cantando músicas de Emilio Santiago (grande cantor da MPB, bela figura negra de então, se alguém ainda se recorda o que significam essa sigla MPB), e da cantora Alcione. Me sinto um pouco fora de época. Deslocado no espaço temporal da minha existência.
Que comunicação é essa, o qual as raízes da música, da arte, do romantismo, da essência do existir..., se perdeu. Que comunicação é essa, o qual não existem mais notas profundas e melodias com instrumentos originais? Onde foram parar as guitarras, o contrabaixo, o piano, o órgão, a bateria, a flauta, enfim, onde foi parar a musicalidade da vida?
Realmente estou preocupado com a comunicação da vida. Está acabando! Socorro!!!
A comunicação da vida está truncada, está se perdendo em meio as rotinas robóticas do SER (ser?) humano. A automatização dos horários, o domínio da rotina, dos horários irrecuperáveis em meio ao trabalho, a escola, o tempo, está nos levando ao caos da existência. Estamos voltando a pré história da vida. Sorte que não vamos mais grunhir. Mas o hã, o tá, o legal, o tá bom, significam o que, senão grunhidos da era moderna!
Devemos voltar a respeitar as essências do existir. Devemos aprender a descobrir “os cinco tons de verde” que tem uma árvore. Você já parou para se ouvir? Já parou para abraçar e sentir uma árvore? Já parou para ligar a alguém e dizer: - Você é muito importante para mim?
Já convidou o seu marido ou sua esposa, e levando para passear, ou mesmo jantar, de repente parou o carro, e pegou uma simples flor num canteiro qualquer simplesmente para ver o seu sorriso? Deu um beijo de surpresa, quando o outro menos esperava, pegando-lhe sim, de surpresa, somente para dizer através de uma comunicação não verbal, EU TE AMO?
Faça isso, caso contrário, será mais UM ESTRANHO NO NINHO!
Henrique Sánchez
Mentor de Comunicação