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Sexta-feira, 03 de Abril 2026

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Quando o consumo cresce, mas o risco também: uma leitura estratégica do cenário econômico

O paradoxo do consumo brasileiro e seus impactos na estratégia empresarial

Quando o consumo cresce, mas o risco também: uma leitura estratégica do cenário econômico
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A economia brasileira vive um momento que exige leitura cuidadosa. Os números mostram que a massa de rendimento das pessoas cresce cerca de 5% acima da inflação e que o comércio conseguiu avançar em vendas. No entanto, ao mesmo tempo, observamos aumento da inadimplência, juros médios próximos de 60% ao ano e uma rápida expansão da dívida no cartão de crédito, que dobrou em apenas cinco meses. Esses dados, quando analisados em conjunto, revelam um consumo cada vez mais sustentado pelo crédito caro e não pela melhora estrutural do poder de compra.

A análise dos indicadores reforça esse alerta. O Índice de Difusão do IPCA demonstra que a inflação segue concentrada em itens essenciais, com destaque para a energia elétrica, hoje o maior peso do índice. Trata-se de um custo fixo que reduz diretamente a renda disponível das famílias. Soma-se a isso a defasagem da tabela do Imposto de Renda, sem correção adequada entre 2014 e 2023, o que faz com que a classe média seja a principal responsável por absorver esse desequilíbrio econômico.

Ao observar o ICF, Índice de Intenção de Consumo das Famílias, fica evidente que o brasileiro continua consumindo, mas com um comportamento mais cauteloso, seletivo e racional. O consumidor está mais atento a preço, prazo, experiência e valor percebido. Isso explica por que o comércio vende, mas enfrenta maior risco de inadimplência e pressão sobre margens.

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Minha atuação profissional une Direito, Comércio Exterior, Gestão de Neuromarketing e Estratégia Empresarial, com formação em Design Thinking pela FGV e especialização em Direito Digital, Compliance e Cibercrimes. Essa combinação me permite analisar o cenário econômico não apenas sob a ótica dos números, mas do impacto direto no comportamento de consumo e nas decisões estratégicas das empresas.

O momento exige que empresários deixem de olhar apenas para faturamento e passem a olhar para inteligência de mercado, posicionamento e estratégia. Vender mais, hoje, não significa necessariamente vender melhor. Empresas que não compreendem o novo perfil do consumidor correm o risco de crescer de forma frágil, sustentadas por crédito caro e consumo instável.

Em um país onde a classe média concentra grande parte da carga econômica, compreender o cenário macroeconômico deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade para decisões empresariais mais seguras, sustentáveis e alinhadas à realidade do mercado.

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