Por Dra. Kedma Alves
Sou enfermeira, pós-graduada em Estética Avançada, especialista em rejuvenescimento e CEO da Liberte-se – Estética em Alta Tecnologia. Ao longo da minha prática clínica, uma constatação tem se tornado cada vez mais evidente: ainda falamos pouco sobre prevenção estrutural do envelhecimento.
Grande parte das mulheres procura atendimento estético quando os sinais já estão instalados. Rugas marcadas, perda do contorno facial, flacidez no terço inferior do rosto e no pescoço. E, frequentemente, a primeira solicitação é: “Quero fazer botox”.
O botox tem sua função e importância dentro da estética moderna. Ele atua relaxando músculos responsáveis por linhas de expressão dinâmicas. No entanto, ele não trata a base estrutural do envelhecimento cutâneo: a perda progressiva de colágeno.
O que realmente acontece com a pele ao longo dos anos?
A pele é sustentada por uma rede de fibras composta principalmente por colágeno e elastina. O colágeno funciona como uma malha de sustentação, garantindo firmeza e densidade. A elastina contribui para elasticidade.
A partir da terceira década de vida, a produção de colágeno começa a diminuir gradativamente. Estudos em dermatologia indicam que essa redução pode girar em torno de 1% ao ano em adultos saudáveis. Embora pareça pouco, trata-se de um processo cumulativo.
Ao longo das décadas, essa perda resulta em:
• Redução da espessura da pele
• Diminuição da firmeza
• Alteração do contorno facial
• Maior predisposição à flacidez
Importante destacar: o envelhecimento é multifatorial. Genética, exposição solar, tabagismo, alimentação, estresse e variações hormonais influenciam intensamente esse processo.
Menopausa e colágeno: uma relação direta
Durante a menopausa ocorre uma queda significativa nos níveis de estrogênio, hormônio que participa da regulação da síntese de colágeno. Pesquisas indicam que nos primeiros anos após a menopausa pode haver uma redução acelerada da densidade dérmica, o que impacta diretamente a firmeza da pele.
Não se trata apenas de rugas. Trata-se de alteração estrutural.
É comum observar, nessa fase, aumento da flacidez tissular — termo utilizado para descrever a perda de sustentação do tecido cutâneo como um todo.
Essa mudança pode ser ainda mais perceptível quando associada a emagrecimento rápido.
Emagrecimento acelerado e impacto facial
Nos últimos anos, tornou-se mais frequente o uso de medicamentos injetáveis para controle de peso. Embora tenham indicação médica específica e tragam benefícios metabólicos, a perda de gordura corporal também pode afetar a gordura facial.
Quando há redução rápida de volume sem estímulo estrutural concomitante, o resultado pode ser maior evidência de flacidez.
Isso não significa que o emagrecimento seja negativo. Significa apenas que o cuidado estético precisa ser pensado de forma integrada.
A diferença entre tratar o músculo e tratar a estrutura
Procedimentos como a toxina botulínica atuam no músculo. Já os tratamentos de bioestimulação atuam na derme, camada mais profunda da pele, onde se encontra a maior parte das fibras de colágeno.
Bioestimular significa estimular o próprio organismo a produzir colágeno novo. Não é preenchimento, não é volumização artificial. É ativação biológica.
Esse tipo de abordagem busca melhorar:
• Firmeza
• Qualidade da pele
• Textura
• Sustentação
Trata-se de uma estratégia que dialoga mais com prevenção do que com correção.
Por que ainda falamos pouco sobre prevenção?
Culturalmente, a estética sempre foi associada à correção. A lógica predominante é intervir quando o incômodo já está visível.
No entanto, a dermatologia moderna tem enfatizado cada vez mais o conceito de envelhecimento saudável e planejamento cutâneo ao longo da vida.
Começar estímulos estruturais antes da instalação de flacidez importante tende a produzir resultados mais naturais e duradouros.
Isso não significa que exista idade “certa” universal. Cada organismo responde de forma distinta. Mas significa que adiar indefinidamente o cuidado estrutural pode tornar o processo mais complexo no futuro.
A importância da avaliação individualizada
Um ponto essencial é compreender que não existe protocolo único para todas as pessoas. Avaliação clínica adequada considera:
• Idade biológica
• Qualidade da pele
• Histórico hormonal
• Grau de flacidez
• Estilo de vida
Somente a partir dessa análise é possível traçar uma estratégia coerente.
Na minha prática clínica, utilizo tecnologias de bioestimulação, como o HiPro, que promovem estímulo de colágeno de forma confortável e não invasiva. Porém, mais importante que a tecnologia é a indicação adequada.
Tecnologia sem critério não é prevenção — é improviso.
Envelhecimento não é falha, é processo
É fundamental reforçar: envelhecer não é erro, nem falha estética. É um processo biológico natural.
O papel da estética em saúde não deve ser transformar rostos, mas preservar características individuais, mantendo qualidade de pele e autoestima.
Quando falamos em prevenção, falamos em planejamento. Assim como cuidamos da saúde cardiovascular antes de desenvolver hipertensão, podemos cuidar da estrutura da pele antes que a flacidez se torne marcante.
Um convite à reflexão
Muitas mulheres chegam ao consultório após anos focando exclusivamente em linhas de expressão. Ao compreenderem o papel do colágeno, percebem que poderiam ter iniciado um cuidado estrutural mais cedo.
Não se trata de arrependimento. Trata-se de informação.
Quanto mais falarmos sobre envelhecimento cutâneo de forma transparente, mais conscientes serão as decisões futuras.
A prevenção não é obrigatória. Mas é uma escolha estratégica.
Como profissional da área da saúde, acredito que informação clara e embasada é o primeiro passo para decisões responsáveis.
Cuidar da pele é também cuidar da relação que temos com o tempo.
E talvez a pergunta mais importante não seja “como apagar os sinais?”, mas sim:
“Como quero atravessar os próximos anos?"
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