Na noite de ontem, terça-feira (22), um chamado de apoio policial mobilizou diversas equipes da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) em um edifício residencial localizado na Rua Thomaz Antônio Villani, 394, Zona Norte de São Paulo. O COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar) recebeu uma ligação do próprio policial militar, identificado como Soldado PM Rogério Vital dos Santos, pertencente à 2ª Companhia do 9º BPM/M, informando que se encontrava em seu apartamento com a intenção de cometer suicídio.
Prontamente, a equipe de Tático Comando M-09027, que atuava como Comando Força Patrulha na área da 2ª Companhia, deslocou-se para o endereço indicado. No local, com o auxílio de outras equipes da mesma Companhia e de um policial militar residente no condomínio, o apartamento de Santos foi identificado.
Ao tentarem contato verbal com o policial, as equipes não obtiveram resposta. Diante do receio de que o militar já tivesse atentado contra a própria vida, foi realizado o arrombamento da porta do imóvel. Ao entrarem no apartamento, os policiais visualizaram o Sd PM Rogério Vital dos Santos sentado no chão da sacada, que, de imediato, apontou sua arma de fogo na direção dos colegas. Um disparo foi efetuado, obrigando os policiais a recuarem.
Seguindo os protocolos de gerenciamento de crise, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) foi acionado e a área foi isolada. Uma célula tática foi montada para manter contato visual com o policial em crise. No entanto, ao se aproximarem do cômodo onde Santos estava, ele efetuou mais três disparos contra os policiais.
Para garantir a segurança das equipes, o efetivo recuou e a área de isolamento foi ampliada. Com a chegada do Supervisor de Região (SupReg), o apoio do GATE foi reiterado e informações detalhadas foram repassadas ao COPOM.
Paralelamente, foram acionados o Corpo de Bombeiros, realizado o fechamento da via, orientado os moradores e evacuado o apartamento vizinho. Informações sobre a motivação do policial e a planta do imóvel foram levantadas para auxiliar as equipes do 4º Batalhão de Polícia de Choque (BPChq).
As equipes do GATE chegaram ao local às 23h55, e o Capitão PM Gobbi assumiu a função de Gerente da Crise. Em um primeiro confronto com o GATE, três policiais foram baleados: o 2º Sargento PM Wilson Katsuji Nakashima, atingido na panturrilha; o Cabo PM Pedro Henrique Gonçalves, ferido na coxa; e o Soldado PM Vitor Figliolino Corniani, também baleado na coxa. Todos foram socorridos conscientes, estáveis e orientados ao Hospital das Clínicas (HC) e à Santa Casa.
Em um segundo confronto, mais um policial foi atingido, o 1º Sargento PM Raphael Romão Penna, que foi baleado no rosto, mas permaneceu consciente. Nesse momento, o Sd PM Rogério Vital dos Santos foi neutralizado, e seu óbito foi constatado às 03h05 da madrugada desta quarta-feira (23) pelo Dr. Farias, médico do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
As equipes do 4º BPChq assumiram a responsabilidade pela apresentação da ocorrência e preservação do local para os procedimentos de investigação. A Polícia Militar ainda não divulgou informações sobre a possível motivação do Soldado PM Rogério Vital dos Santos para a tentativa de suicídio e o confronto com os colegas de farda.
Alguns especialistas questionam a ausência de uma tentativa maior de negociação antes da invasão, comparando o caso com o caso Lindemberg Farias, onde as equipes tentaram negociar com o sequestrador de Eloá por aproximadamente 7 dias.