O Fórum de Americana realiza, nesta quarta-feira, o julgamento de quatro pessoas acusadas de integrarem a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O júri popular vai analisar uma denúncia do MP (Ministério Público) que aponta que os réus participaram de um “tribunal do crime” no Jardim dos Lírios, em 2018. A vítima foi salva pela PM (Polícia Militar).
O caso é considerado complexo e um dos maiores júris realizados em Americana, já que envolve mais quatro réus que serão julgados na próxima semana. Também é de alto risco, devido às ligações com a facção criminosa. Por conta disso, o entorno do fórum, na Avenida Brasil, terá segurança reforçada com policiais da Força Tática. Serão julgados crimes como tentativa de homicídio, sequestro, tortura e organização criminosa. Os réus negam os crimes.
O processo é um desdobramento da operação Jus Puniendi, uma das maiores investigações da Polícia Civil local contra a organização criminosa na cidade. Em outubro de 2018, a Polícia Militar descobriu que um homem apontado, sem provas, como autor de um estupro estava sendo “julgado” em um barraco no Jardim dos Lírios.
A vítima foi amarrada, amordaçada, ameaçada, agredida e interrogada por dois dias. Ela chegou a tentar fugir, mas não conseguiu. A execução só não se consumou porque uma equipe da PM chegou ao local e impediu o crime.
Parte dos envolvidos no episódio no Jardim dos Lírios foi presa em flagrante. Neste caso, quatro homens já foram condenados a penas que variam entre 21 e 25 anos. Já os réus que vão a júri nesta quarta e na próxima semana foram descobertos em investigações após as prisões em flagrante feitas pela PM.
A apuração da Polícia Civil, que já mapeava há alguns anos a atuação do PCC na cidade, utilizou interceptações telefônicas para juntar provas que relacionassem o grupo a julgamentos clandestinos da facção, conhecidos também como “tabuleiros”.
A vítima também reconheceu os réus como participantes do seu sequestro e tentativa de homicídio e chegou a relatar situações como a negociação de uma chácara para a enterrarem. Colaborou Cristiani Azanha