O período escolar é uma das fases mais importantes da vida. Responsável pelas primeiras convivências como um cidadão, a escola é basicamente uma pequena simulação da civilização. Com exemplos de autoridade (professores) e trabalho (aulas e tarefas), a educação básica funcional é sempre impulsionada por atividades intencionais estimuladoras do florescimento do melhor de cada criança.
Apesar de ser uma fase importantíssima, tanto por conta dos primeiros contatos com a civilidade – outorga que a Constituição confere à escola –, tanto pelo intenso estímulo da criatividade, é importante ressaltar o quanto o investimento público na educação básica ainda carece de políticas públicas assertivas que se materializam em efetivo impacto. Pois, mesmo com o índice de crianças abandonando a escola caindo, vê-se um aumento dos chamados “analfabetos funcionais”, jovens que sabem ler e escrever, mas com imensa dificuldade de transpor o conhecimento escolar às situações do cotidiano.
A taxa de abandono escolar no Estado de São Paulo, de acordo com a UNICEF, caiu de 1,12% para 1% no período compreendido entre 2016 e 2020. Dados que mostram que as políticas para evitar o abandono escolar se mostram eficazes. Mas o fio do problema vai muito além do fato do jovem estar ou não na escola, e sim sobre como é o ensino. E não o ensino superior, mas sim aquela fase mais decisiva no percurso escolar, onde se constitui a identidade discente e onde se assentam as bases para uma trajetória escolar que não deságue em evasão em algum momento.
Nesse sentido, dentre os investimentos e intervenções na educação básica que se revelaram eficazes para superar as chagas comumente associadas às redes públicas, Márcio Carvalho, Secretário de Educação em Itapecerica da Serra, destaca: “A educação de base, aquela promovida pelos sistemas de ensino que se ocupam da primeira infância, deve receber a maior atenção. Só é possível ter uma culminância exitosa no processo educacional quando se implementa uma reforma educacional que opere fortalecendo o que acontece na base, nos primeiros anos escolares, articulando oferta de ensino qualitativo com identificação de vetores externos à escola e que interferem no seu interior, como pobreza, violência e discriminação.”
De acordo com a pesquisa da Fundação Roberto Marinho, junto ao Insper, que traduz um pouco melhor os números apresentados pelo UNICEF, trazendo uma versão mais humanizada e que tem como pano de fundo o contexto pós-pandêmico e seus impactos sobre a escolarização, observa-se que mais de 550 mil crianças da rede pública sofrem com insuficiência de aulas, atrapalhando seu desenvolvimento, incidindo diretamente no abandono escolar. E, nesse índice, são apontadas estatísticas que dimensionam melhor o problema. Cerca de R$372 mil são perdidos por cada jovem que não tem uma boa graduação, apontam os dados da pesquisa.
Diante de tanta negatividade que cerca um assunto tão sério, existem alguns exemplos que escapam ao cenário de terra arrasada. É o caso de Itapecerica da Serra, que tem colocado em prática medidas reparadoras quanto à mitigação dos efeitos que a suspensão das atividades presenciais acarretou sobre a aprendizagem dos alunos. E os frutos começam a ser colhidos.
Projetos de recomposição da aprendizagem a partir da indução de política educacional promovida e direcionada pela Secretaria de Educação, associados ao fortalecimento da parceria entre escola e a sua comunidade que ocorre em cada uma de suas escolas, têm revelado que é possível virar a página na educação brasileira. É de se destacar a condecoração na Olimpíada Internacional de Leitura, com o 1° e o 2° lugar no torneio de leitura em que participaram alunos do Ensino Fundamental, trazendo uma ampla repercussão para a cidade de Itapecerica da Serra no Estado de São Paulo.
Falando sobre o seu êxito em tal projeto, Márcio acrescentou: “É bonito ver como a disponibilização de recursos didáticos e metodológicos para toda a Rede de Ensino capilarizou-se, chegando onde deveria chegar, no chão de cada sala, abrindo horizontes que só a leitura é capaz. Mas é só o início. Não é questão de política, e sim cumprimento de dever público: entregar um ensino correspondente ao que é esperado na correspondência idade-série das etapas as quais o município se ocupa.”
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