Clientes de uma corretora especializada na negociação de criptomoedas com sede em Americana estão buscando a Justiça após não conseguirem sacar os valores aplicados.
A empresa é a Gocap Intermediação Inteligente de Ativos, que funcionava em um imóvel de alto padrão na Rua Washington Luiz, no Centro da cidade (veja a versão dela abaixo).
O escritório foi fechado e o grupo é alvo de uma ação de despejo por falta de pagamento do aluguel do espaço.
Investidores ouvidos pelo LIBERAL sob a condição de anonimato disseram que a oferta tinha as características de um bom negócio: baixo risco e potencial de ganhos acima da média.
“Podia render de 1% a 2% ao mês, mas não havia garantia de rendimento, apenas de que não teríamos perdas. O meu (investimento) estava rendendo 1,8% mês”, explica um servidor público, que vendeu um carro para aplicar com a Gocap.
Pelo contrato firmado entre a corretora e os clientes, o período mínimo de aplicação deveria ser de seis meses. Após esse prazo, era possível resgatar os recursos e o lucro obtido. Para isso, a empresa teria 45 dias úteis.
“Meu contrato finalizou dia 7 de janeiro e eu tinha R$ 39 mil para resgatar. O prazo terminou dia 27 de março e aí começou a dor de cabeça. Pediram validação disso e daquilo, tudo fora do previsto no contrato e falaram até de uma lei que ia entrar em vigor. A resposta que dão toda vez é que está no jurídico”, completa o investidor.
O advogado Roliandro Antunes da Costa representa outras três famílias que não conseguem resgatar os valores aplicados com a Gocap. Apenas um de seus clientes tem R$ 1,3 milhão a receber da corretora.
“Os investidores realizaram diversos depósitos e transferências para as contas indicadas pela Gocap. Esses valores eram considerados aportes financeiros destinados à gestão e administração dos fundos na plataforma online promovida pela empresa. As promessas de rentabilidade não se concretizaram e a confiança depositada foi abalada quando se tornou evidente que o sócio da empresa agia de forma enganosa”, afirmou. O responsável pela Gocap é Maxciel Ferrero Cavalheiro.
O autônomo J. A. W. é outro investidor que se sente enganado pela empresa. Ele afirma ter investido com a Gocap por confiança, já que era amigo de infância do empresário.
“Nós éramos amigos de longa data, estudamos juntos. Ele faz parte de um grupo da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), que se reúne mensalmente para falar de negócios e eu fiz o contrato com ele baseado nessa confiança. Cheguei a ganhar dinheiro com alguns investimentos, mas os últimos dois contratos, que somam mais de R$ 13 mil com os juros não foram pagos”, afirma.
Após reiterados contatos com a corretora sem uma definição sobre a devolução do dinheiro aplicado, o autônomo decidiu acionar a Polícia Civil.
“Fiz o boletim de ocorrência por estelionato, apresentei os documentos para a polícia e vou procurar a Justiça”, completou.
Sede fechada
A reportagem esteve, na sexta-feira (7), no prédio onde funcionava a corretora. O espaço está fechado há mais de um mês e sem qualquer aviso sobre mudança de endereço. Segundo vizinhos, várias pessoas já se frustraram ao buscar informações sobre a Gocap.
A oferta da Gocap
Entenda como é o serviço oferecido pela empresa, que virou dor de cabeça para parte dos clientes
1) Corretora oferecia aplicações em criptomoedas com rendimentos variáveis entre 1% e 2% ao mês
2) Clientes faziam aportes mensais e podiam acompanhar o “rendimento” por app
3) Após um período de seis meses, o investidor poderia pedir o resgate, que seria pago em até 45 dias úteis
4) Clientes relatam que o prazo não foi cumprido e que não há justificativa por parte da Gocap
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