Existe uma regra de ouro no mercado financeiro que o Banco Master ignorou: a única função do Compliance que não pode ser terceirizada é a responsabilidade.
O escândalo que derrubou o banco e gerou um rombo bilionário não é apenas uma história de fraudes contábeis. É, acima de tudo, um manual do que não fazer em governança corporativa.
Durante as investigações, um detalhe chamou a atenção e resume tudo.
O ex-diretor da área admitiu, de forma direta, que assessorava o banco apenas formalmente, afirmou que assinava documentos sem ler e que o monitoramento de riscos era apenas um "objetivo de papel".
Ou seja: o banco tinha o cargo, mas não tinha a função.
O nome da operação policial foi irônico, mas preciso: Operação Compliance Zero.
Na teoria, o Compliance é o "freio" da empresa. É a área que deve ter a coragem de dizer "não" para o CEO quando uma operação fede.
No Banco Master esse freio foi propositalmente desligado.
Os indícios da investigação apontam que a estrutura de conformidade era ineficaz. E há um motivo para isso. Um Compliance forte atrapalha esquemas.
Para o esquema fraudulento dar certo, os fraudadores precisavam neutralizar o Compliance. E eles conseguiram, transformando a área num mero carimbo administrativo.
O caso Banco Master nos deixa uma lição clara sobre a diferença entre "parecer certo" e "estar certo":
- Autonomia não é opcional: Compliance não pode responder apenas aos interesses do dono do momento. Se o diretor da área não tem poder de veto ou voz ativa, ele é apenas um decorativo de escritório.
- Cultura acima de Normas: É inútil ter um código de ética de 50 páginas se a prática interna é "assinar sem ler". A cultura organizacional vence qualquer regra escrita.
- O Risco do "Sim" Fácil: Quando o Compliance vira um departamento que sempre diz "sim", a empresa entra em um perigoso território de risco cego.
Para o empresariado brasileiro, o Caso Banco Master não deve ser lido apenas como mais uma manchete sobre o sistema financeiro.
Ele deve servir como um alerta gritante: a ruína financeira muitas vezes começa onde o Compliance termina.
Se você quer evitar prejuízos, processos judiciais desgastantes e a destruição da reputação da sua empresa, pare de encarar o Compliance como um "custo de escritório" ou uma burocracia chata.
Ele é, na verdade, o ativo mais barato e eficiente que você tem para proteger seu patrimônio.
Não espere a Polícia Federal bater à porta ou um rombo no caixa para descobrir que "assinar sem ler" destrói empresas.
Invista em uma estrutura de governança real e autônoma AGORA, ou pague o preço da negligência depois.
A escolha — e o risco — são inteiramente seus.
THIAGO BICALHO
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