Um ciclone extratropical com rajadas de vento acima de 94 km/h atingiu a Grande São Paulo na quarta-feira (10/12), deixando mais de 2 milhões de imóveis sem energia elétrica inicialmente, número que ainda chegava a 1,5 milhão na manhã desta quinta-feira (11/12). Na capital paulista, bairros como Americanópolis, Morumbi, Parelheiros, Parque do Carmo, Sacomã, Tucuruvi, Vila Clara, Vila Formosa, Vila Mariana e Vila Romana foram os mais impactados, além de municípios inteiros como Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Taboão da Serra.
Causas do Apagão
A Enel atribui a interrupção a eventos climáticos extremos, semelhantes aos temporais de novembro de 2023 e outubro de 2024, que também afetaram milhões de clientes com quedas de árvores e danos em 220 km de redes. A Defesa Civil registrou mais de 500 chamados por árvores caídas, com pelo menos quatro feridos, incluindo um motociclista na Cachoeirinha. No entanto, a agência Aneel cobra explicações técnicas da concessionária sobre a extensão da falha, que atingiu 31,81% de sua área de concessão, e exige comprovação de ações preventivas.
Críticas à Enel e Autoridades
A Prefeitura de São Paulo acionou a Aneel e o Procon, questionando a frota parada da Enel e a demora no restabelecimento, citando falhas recorrentes nos apagões anteriores que geraram R$ 300 milhões em multas. Parlamentares e a gestão municipal apontam falta de planejamento, enquanto a Enel mobilizou 1.500 equipes e geradores para casos críticos, prometendo resposta no prazo. O histórico de crescimento de 25% nos casos de falta de energia sob a gestão Enel reforça acusações de negligência operacional.
Questão Climática ou Incompetência?
Embora o ciclone seja um fator imprevisível, a repetição de blecautes em temporais levanta dúvidas sobre a resiliência da rede elétrica, com custos estimados em R$ 20 bilhões para modernizações como enterrar fios na capital. Planos climáticos municipais e nacionais discutem adaptações, mas impasses sobre financiamento persistem entre poder público e concessionárias. Moradores periféricos sofrem mais, sem luz por dias, o que exige maior fiscalização da Aneel para evitar que o clima sirva de desculpa recorrente.
Empresários relatam prejuízos
Elaine proprietária do Studio Eliane beauty relata que seu estabelecimento, localizado no Jardim Alvorada está sem energia insumos utilizados nos procedimentos estéticos que dependem de refrigeração acabaram sendo perdidos.
Já para um outro empresário que não quis se identificar o prejuízo foi maior, dono de um restaurante na Vila Mariana X afirmou que permaneceu cerca de 28h sem energia, resultando em perda de ingredientes, além do prejuízo operacional.